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29 março 2011

Coração radioativo

 

Oh, este simples e vivo coração

Radioativo no seu ser

Pesado na emoção

Que não se deixará vencer por um tremor de terra que vá haver

 

Nas suas artérias de radioatividade

Sei que não há forma de fugir

O urânio despedaçado que por si corre

No fundo do povo vai cair

 

Oh tanta energia poderosa

Raios que a terra agitou

Águas frias, nebulosa

Raiva de quem este sevéro poder criou

 

Rezam os poderosos habitantes

Para que este coração não mais se degrade

Agora cabe ás vontades do homem

Que as suas acções o novo vento apague

 

A terra treme e o mar sobe

Deixa o seu rasto na terra fria

Que de tanto pecado enchia

Agora já todo o ar renasce com fome

 

Parar, podemos com a vontade de quem fez o mal

Não importa como o faça, o escândalo infernal

É que onde a cinza entra o sol não passa

A vida morre pelo acaso e tudo arrasa

 

( poema ao japão e a tudo o que por eles tem passado nos últimos dias)

07 março 2011

Poema a uma tragédia: 4/3/2001

Rasga-se uma ponte
Desaparece a ligação
Que liga duas aldeias num caminho

Perde-se um acesso
Perde-se um coração
Perdem-se vidas que se apagam
Sem que fosse para isso programadas

Entre-os-rios passa uma ponte
Que liga duas almas numa vida
Que arrasta em cada lado meio monte
Que me separa sem medida

De um local em pequeno muito visitado
De alguém que me viu sempre crescer
De uma aldeia que de pequeno nome chamado
Alguma tristeza me faz ter

Pelos postes pelo homem feitos
Sem segurança nem visionamento
Destaca-se esta tragédia
Mortifera sem consentimento