27 maio 2012

Quem se pode chamar

 

A dor apaga os ventos que não podem ser apagados

A mente foge dos dedos que não querem fugir também

A terra quer fugir, mas não foge, de si própria

O ser, quer deixar de ser para tentar ser mais alguém

 

A idade foge e mata quem não pode fugir dela

O tempo rompe e sabe que para ele não muda muito

Basta viver em em tom de vida bela

E esta passa sem querer, esquecendo-se tudo

 

Se há algo que se chame,não é a medicina

A dor ultrapassa o corpo que se quer escapar

A vida escapa o mundo com todos a olhar

Porque só assim deixa de ser vivida

26 maio 2012

Aluno: nutricionista de si mesmo

Em tempo de aulas o estudo domina a cena
Não há mais preocupação
Por vezes a gordura è tão pequena
Que nestes tempos entra em expansão

Comer e bem saber, eis a proporcionalidade
Que a vida tende a ensinar
Tar sentado horas em mental atividade
Faz a maravilha da comida nos entusiasmar

Só entra em desvios quem já tem que chegue
A quem a barriga já pesa
Não há dificuldade em ser-se delicado
Mas a cadeira por si já pesa

O estudante é em tempo de aulas
Nutricionista de si mesmo
Comandado pelos seus gostos
Dando luz ao seu prazer infermo


Nutrição e vontade conjugadas
Não há que controlar
A vida ensina que tudo tem momentos
Tudo tem sua direcção, seu falar


Comer, não há travão
A barriga tudo aguenta
Mas a vontade e a força que a sustenta
Tem dia de fim marcado

25 maio 2012

Quimioterapia

 

O cancro dói por saber-se que existe

Eis o tratamento, a melhor resolução

Mas porque é algo que  rapidamente se espalha

A dor da cura resolve mas é certo que mais atrapalha

 

Os químicos aproveitam a multiplicação das células do cancro

Alterando o funcionamento das vizinhas

Fazem-se estragos por não existir melhor critério

Tratam-se os cabelos como ervas daninhas

 

O cancro enfraquece mas até o corpo já está debilitado

É muito químico diria ele, pra tão pouca célula maligna

Que por estar ali como na Terra um alienígena

Está por todas as armas do mundo dos medicamentos a ser bombardeado

 

O bem, é que tudo muda

O cabelo é como uma planta que sempre cresce

As células tem o poder de voltar a acordar

Por muito  que a tormenta as destrua

 

Porém, o corpo recupera mas a memória permanece

Sabe-se do que se passou e há vontade de estar vivo

A vida ganha então novo sentido

Ao saber-se que para alguns o “adamastor” já foi passado

21 maio 2012

Sangue, liquido da vida

Sangue ou aurora vermelha
És luz no corpo escurecido
Que só por ti é nutrido
E desenvolve se assim

Nunca estás só, tens acompanhante
Nunca terminas, és medular
Estudar-te é algo fascinante
Tens segredos melhores do que se pode sonhar

O sangue que flui por ti da veia
Enche a criação por minuto
Faz criar a tela cheia
De vida, de sentimento bruto

Nas profundezas há proteinas
Que fazem com que sejas grande
Por fora, as hemoglobinas
Criam a cor que ao sol te espande

19 maio 2012

Mandemos a verdade a merda

Verdade, vai á merda, não és precisa aqui

Os politicos que vão á merda, já de portugal desisti

Vai á merda desemprego, já foste descomungado

Vai á merda vida, já desististe de ser louvado

 

Vai á merda fé, há a justiça que te encobre

Vai á merda zé, passaste de santo a um miserável pobre

Mas será que a verdade pode ser mesmo mandada á merda??

Vejamos se a merda não se destapa…

 

Portugal era rico, passou a ser quase pobre (vai á merda)

A politica é um penico da queixa de um recluso nobre (vai á merda)

A merda é viver, sobre as leias da sociedade

Deixada ao poder de um rico estúpido com falta de sinceridade

 

Vai tudo á merda mas a merda prevalece

Nada muda, nada se quer esquecer

O euro é merda, que por vezes se esquece

Que une países que só bosta sabem fazer

 

Haja merda que nem a verdade engana

Profetas já reclamam que a merda sai do esgoto

Não sei se será por ele estar roto

Ou por osmose da merda que há na terra

 

Verdade, vais á merda mas não deixas de ser verdade

Mentira, vais á merda porque sabes o que é mentir

Tudo se arrasta, tudo é merda

Mas é a merda que cria mundos e os faz ruir

Porque hoje é mais um sábado

Hoje é sábado
Dia de beber o mundo
Dia de regurgitar toda a tristeza da semana
Dia de sermos nós, poderosos do profundo

É dia daqueles que não fazem nada
Ou daqueles que pelos cargos sociais fingem fazer
Mostram ao mundo a sua escala
Sendo o que não são para se entreter

É dia dos alapados do sofá
Da política, como sempre, cantar mais baixinho
Mas esses que se fartam de cantar vão para outro lado
Só para serem perseguidos pelo caminho

É dia de sermos pobres, alguns desempregados aumentam por cá
Como se já não bastassem os empregos
Há sempre alguém que já, pensando na semana
Aproveita se do declínio dos gregos

É dia de haver prostitutas
Pagas pelo “oh sim” da clientela
Que sem fugir, atadas com trela
Fazem os gostos dos mais ricos

É fim de semana, olé diria eu
Mas com tanta pouca vergonha no mundo
Até mesmo um camafeu desocupado e desleixado
Vive a pensar que já foi plebeu

14 maio 2012

Mal De Alzheimer

 

A memória perde-se, a orientação perde-se

Apatia, o tempo ninguém sabe onde está

O segundo vive-se, da vida sobrevive-se

O pouco que se fez recentemente está perdido e fugirá

 

O humor desequilibrado, o pensamento parado

Não há forma do mundo reconhecer

O mover move-se sozinho, descoordenado, fragilzinho

É difícil a mais simples tarefa de movimentação manual fazer

 

As palavras definem-se em letras não conhecidas

A leitura torna-se um desafio impossível

Os parentes, aqueles seres humanos amigos, disponíveis

São em alguns casos seres do indistinguível

 

São depois tornadas as emoções numa confusão

Não se saber coordenar o sentido

Ocorre em poucos casos o mundo da ilusão

Apoderar-se do cérebro interiormente reduzido

 

A dependência torna-se obrigatória

A linguagem fugitiva e sem sentido

Havendo por vezes resposta ao estimulo devido

O doente vê o seu corpo o deixar em estado permanentemente inativo