19 setembro 2015

Nao conheço

Algo em mim que não conheço
Nem nunca fomos apresentados
Que nem um abraço dele mereço
Nem tem sentido tarmos agarrados

Nunca o vi por dentro ou por fora
Nem mais gordo nem mais magro
Há algo em mim que não conheço
Mas sirvo-o como escravo

Mas quem é ele que debaixo se vê grande
E que pela frente nem se sabe que existe
Nào passa frio, nem a comer q se lhe gane
Vive desconhecido como um sem abrigo

06 setembro 2015

Refugio-me de ti, guerra (Discurso entre um refugiado e um europeu)

Refugio-me de ti, guerra
Quem sabe talvez, em outra,
Para mostrar que estou vivo
Para pedir socorro e suplicar por abrigo

Refugio-me de ti, guerra
Para ir além mar
Fugir do "fado" que me espera
Se eu cá presistir em ficar

Refugio-me de ti
Apenas por saber
(Que) a Europa prometida
Tem terreno pra me acolher

(Interrompido espantado)

Será que tem?
Mais tarde saberás
O caminho para o El Dourado dificil é,
Sobreviverás?

(-A quê? ,Pergunta ele calado)

Nos dias que  vão chegar serás tratado como lixo
Serás mancha negra na fronteira
Serás engolido pelas águas da travessia
Que não vêem em ti força de epopeia

Depois , olhar-te-hão como corja
Como promissor terrorista
Terás que mostrar valor humano
E sobrepô-lo á tua nacionalidade categorista

O El Dourado que tu vês mata homens
Pelo simples racismo de identidade
Serás um perigo para a sociedade
Só por te verem como refugiado

Mas eu...(Pensa ele)

Não tenho culpa de ter nascido na Síria,
De ser educado no irão;
De ter com bombas nos ouvidos crescido
Sem me como humano terem conhecido
Tende perdão (de mim) .

(E1ntretanto o europeu reconhece)

Como ser europeu eu te aplaúdo
Por a mim me tentares convencer
Serão precisas mais do que palavras pra poderes ser
Visto por todos do meu lado

(Mas obrigado, teres me escutado)

01 setembro 2015

Eu sempre quis andar a pé

Eu sempre quis andar a pé
Mas não pude, gozaram comigo
Deram-me carro e de rolé
Vi-me preso, como castigo

Sei que o carro é uma arma
Mas no inconsciente, tenho gosto de matar
Sei que a rua não é só minha
Mas sou poeta, gosto de me libertar

Preso na vida como homem dos recados
Uso carro como se na vida não houvesse segredos
Depois ainda se queixam que não quero saber
Já estou nisto a brincar, nem tou a ver

O carro é bom mas como o outro dono era uma besta
Não dá graça nenhuma
Conduzo com carta paga e faço a festa
Porque a minha vida não faz mais "espuma"

Já vou nisto contrariado,
É dificil ser feliz
Agora peço que pensem, um bocado
Onde está a graça de viver contra o fado, infeliz?

Eu sempre quis andar a pé
Mas não posso, vamos andando
Ver a rua como é
E esqueçer, cantarolando