28 novembro 2012

O vento chama, o que parece não ouvir

O vento chama o que não ouve chamar
A força reclama ser ouvida
O ser humano geme pela vida
De sentir o frio a arrancar

O sol ilumina mas não serve
O vento quer atenção
Por muito que a natureza preserve
Ouvir-se é obrigação

A cidade não deixa
Há muito ruido descontinuado
Carros na rua, barulho truncado
Que diz ao vento que a sua força não chega

A voz do vento fortifica
Que frio! Diria eu
O que não se sabe nem explica
É a quem o vento chama sem ser plebeu

A paisagem conhecida faz o vento
Aumentar sua força com as horas
Sem ter medo e fugindo ao relento
Caem as folhas calmas e levantam-se as auroras

Ao menos não chove
Há melros e pombas no chão sobreviventes
Algumas assustadas pelas gentes
Que veem no frio o passar das horas

27 novembro 2012

O contra-senso dos crimes


Diz-se aos assaltantes que não assaltam
O que devem evitar
Fazem-se reportagens que instruem
Pobres em dias de querer ganhar

Rouba-se o pão, rouba-se o milho
O básico nunca aparece noticiado
Trafica-se drogas ou maior sarilho
E na televisão, como andarilho
Todo o crime é exorbitado

Eu não assalto, nunca o faria, mas explicai-me
Como assaltam os totós,
Em pequenos passos descobriria
Como se instruem os prós

Evita-se o que se vê e, que engraçado
Os policias demoram mais tempo a agir
Porque tudo o que é noticiado
É milimetricamente estudado para impedir

Perfeito! Quem pune também ajuda a cometer.
Viva a comunicação social
Se algum crime se quiser fazer
Para se estudar e entreter nada como ver um vídeo do telejornal !

25 novembro 2012

Carta nunca enviada a um poeta já falecido


Caro poeta, elogiando-te a escrita diversificada de temas e pessoas, compreendendo também a ideia da tua “Mensagem” te peço que deixes agora que este mero ser social, como tu o eras te siga os passos.
No teu livro e num outro de um tal Camões elogiaste e fortificaste o orgulho de Portugal numa época que os governantes eram mesmo de orgulhar, eu, agora neste século promíscuo, peço te o poder de criticar os portugueses e/ou os seus governantes recentes para pela poesia alguém poder acordar de um sono que depois da tua morte fora evidenciado ao longo de alguns anos.
Como tu, num poema chegaste a dizer:“Cansado do universo e sociedade/Da abstração que não finda o que é fundo/Do meu fatal pôr olhos sobre o mundo/ Pobre de amor e rico de ansiedade/Já nada me seduz nem me persuade", este mundo já não cativa porém ainda se cá vive, a sociedade erra e não há quem saiba ver os seus erros, o ser humano é agora capaz de errar e gozar com os outros pelos seus próprios instintos.
Como tal peço-te, caro poeta antepassado, que ilumines esta critica de modo a alguém aprender, a alguém lá longe perceber que Portugal só ouvindo o mal pode ser ressuscitado.
Quanto ao Homem em si, há muita escuridão no pensamento, há muitas ações que não são divulgadas para a subsistência de quem as faz e acha que é obrigatório fazer, portanto peço luzes também nesse aspecto.

Sem mais a tratar, despeço-me por horas não contadas 

18 novembro 2012

A journey to a strange land

 

Once upon a time, a man

Trying to know himself

Go over the mind

To nowherelse

 

He traveled, make the journey

To understand his own feelings

To make some believings

He dont know how to recognise

 

He went, far and far away

To his own judged mind

Knowing that someday

His arrival will be find

 

Courage, truth and a passion

This travel will suceed

One love, one mind, one action

To be trully indeed

 

Go far, go longer, pass the time

Recognise yourself

In this jorney to the mind

You are growing the love for you and everything else 

Discurso entre o Homem e a sua Consciência

 

(H) Miro o meu reflexo. Desconheço o que vejo,

Abnegando a possibilidade deste grotesco bosquejo.

Coloco a máscara e, por fim sereno e vero,

E por fim no controlo deste ensejo,

Finjo a mentira que quero.

 

( C ) Finges mas a dor permanece.

Existe a vontade de nos superarmos,

De vivermos e lutarmos num futuro

Onde o passado menos duro nos enaltece…

 

(H) Mas o passado… a que distância…

E padecer desta dor pela consciência,

Do saber que já vai longe a infância,

E que entretanto se perdeu a inocência

Conspurcada pelos anos de existência…

 

( C ) Existes porque te querem mostrar ao mundo,

Não só pela diferença mas pela virtude,

O teu futuro demonstra a polivalência,

Do que és dentro de ti, puro…

 

(H) Mas de que me valho eu puro,

Se a lei vigente é a da aparência?

Haverá rumo mais proveitoso e seguro

Que o da devassidão e indecência?

Pois aquilo que há tanto procuro

Só alcancei num estado de dormência…

 

( C )É a dormir que a criação é só sonho.

O interesse é a vida terrena.

Tudo o que sonhas não é impossível,

Apenas uma tendência.

Vive, mostra inteligência

Porque o resto é problemas de convivência.

Livra isso da consciência…

 

João Carloto e Flávio Pereira

13 novembro 2012

Chamam-lhes “Defs”

 

Na vida nem todos fomos escolhidos pela  perfeição

Uns por via genética, outros por acaso

Acontece-lhes um problema que faz um traço

Ao qual não se pode fugir facilmente

 

A sociedade está habituada aos nomes

E a esses seres humanos não valoriza

Cria palavras, quase escraviza

Aqueles que não são como os outros

 

Sem um membro, gagos ou simplesmente pior que isso

Alguns seres humanos lutam pela aceitação

A sociedade tenta cortar as barreiras

Da integração

 

Uns descriminam, outros proíbem

A luta pela aceitação parece não ter fim

Se as mulheres antes eram tratadas mal

Não sei o que me diz a mim

Que a diferença não seja um bem social

 

Há cegos que tudo veem sem precisas de olhos

Há “mancos” que tudo ultrapassam apenas com o coração

Há gagos que basta uma palavra escrita

Para alguém de forma bonita

Mostrar que todos tem boa intenção

 

Mas porque será a sociedade discriminatória

Se já Darwin em sua “Evolução….” dizia

A sociedade é selecionada

De acordo com as variações que o Meio lhes potência?

 

Não será a deficiência uma adaptação

Nem que seja só em conceito

Para mostrar á sociedade

Que os melhores nem sempre tem tudo no mínimo considerado “direito”?

 

Deixo ás cabeças para que pensem

Já que os neurónios para algo servem

A não ser que tenhais Alzheimer

E este poema na pele percebem

12 novembro 2012

A uma Angel(a) Merkel

No belo regime tuga aterraste
Pra contrariar o ditado loiro
Rica ,comandaste
Para tentar mudar algo neste pais de estouro

Ninguém te pode gamar
Mas não és de cá
Falas para mudar
O mal que nos soterrará
Mas nada nos irá salvar

Somos pobres mas ouvi dizer, crentes
Somos tesos mas pelo menos poupados
Somos governados por descendentes
De ladrões pelo bem da vida acarenciados

Não precisamos de anjos mas de tempo
Precisamos de multi mudança conceptual
A "républica" conhecida no global
Não deveria  querer dizer o roubo generalizado de sempre

Estamos como a grécia, minha cara
Passei vós cá umas férinhas
Ouvide o que se diz nas ruinhas
Em que passais vós com totipotência
E observai que o mundo denota em vós total descrença

Haja deus, vossa excelência

02 novembro 2012

Um ser não é humano

 

Um ser não é humano quando age com brutalidade

Quando pensa ser feroz e antes de o querer persuade

Que não o quer fazer

Mas acaba fazendo

 

Um ser não é humano quando se separa da razão

Quando mostra a urgência dos seus pensamentos

Quando se governa pelos sentimentos

E se deixa cair na intenção

 

Ser humano deixa de querer dizer ser racional

Um ser que é humano é também fogaz

Deixa o discurso para trás

E age sobre o que há de mal

 

Se o mal por ele for feito

A racionalidade é bloqueada

Quer-se fazer mas por entre a estrada

Só alguns percebem que o mal são eles mesmos