25 agosto 2025

Á bem merecida Areosa

Areosa, teu nome respira 
Algo novo a cada dia
No seu ar transpira 
Alguma melancolia 

Areosa, teu nome invoca
Paz e solidariedade 
Se há animais saltam da toca
Ao saber a tua idade

Areosa, teu nome grita 
Para ser entendido 
Nosso coração transita
Para viver do teu ouvido 

Areosa, teu nome ecoa
Nos teus honrosos navegantes 
A ouvir o som até magoa
Estares bonita como dantes 

poema a um amigo invisível (nos tempos do COVID 19)

Tu, covid, que nos limitas liberdades
Pensa bem no que fizeste 
O ser humano tem as suas reciprocidades
Que interrompeste

Tu, covid, que tão celebremente te mutas
E que promoves a evolução 
Deixa de contribuir para os mortos 
Pois já chega de solidão 

É digno que podes nos infetar
Com isso está-se bem, desenvolvemos
Fazer um país se curvar de tanto inocente matar
Não fazia parte dos termos 

Bem, COVID, estafermo
Haja quem te dê paz
Pois o nosso mundo é demasiado erno
E mal te encontrarás 

Chama se outono

Chama-se outono 
O tempo que as folhas caem 
Ao abandono 
Sobressaem 
Sem pedir dono 

Chama-se outono 
O tempo indeciso 
Ao luar
O beijo de narciso 
A pensar regressar 
Ao olhar indeciso 
De ver o tempo passar

Chama-se outono 
Ao tempo que quebra a maresia
Ao vento que move porcaria 
Às folhas que viram colorado amarelo
De tão ritual e tão belo

Chama-se outono 
Ao tempo frio e incerto
Ao ar que ama de perto
Ao pensamento frio e preocupado 
De tão só e em mal estado
Que nunca se prevê ao certo

A um cão abandonado

Cão! 
Por cada Au! Que lances
Eu choro por ti
Por cada chão que pises
A tua alma não esqueci
Por cada dono que tenhas 
Deixas me a desejar
O melhor de ti

Cão,
Por cada sonho perdido 
O mundo não te merece 
Por cada latido
Só Deus ouve e não esquece
Por cada pata estendida
Deixas-me a pensar 
Por cada vida perdida
O teu mundo queres mostrar 

Cão, 
Faz-te homem da próxima vez para entender 
O ser humano é sacana muitas vezes sem saber
O mundo é vosso e agradeço a companhia 
Tu não merecidas tristeza
Mas não mostraste a tua magia

24 agosto 2025

quero comer (homenagem aos famintos de Gaza

Quero comer!
Sinto me fraco
A emagrecer 
Como num buraco 
Sem ter que fazer 
A olhar para o caco
 Da minha vida a ser
Pobre 

Quero comer!
Sinto-me homem 
Com fraqueza de ser
Meus órgãos se consomem 
Pra sobreviver 
Meu olhar só muda
Para pedir ajuda 
Pra não morrer

Quero viver
Sinto-me pobre 
Sem ter o que comer 
Meu sorriso mostra
A minha pobreza imposta
Sem puder escolher 

Estou em Gaza
Onde a pobreza passa de casa em casa
Onde não há nem um pacote de massa
Onde a minha vida se torna raza
Onde o infinito é incerto e a luta passa